Da Osteopatia à Saúde Integrativa Feminina
Quando o lugar da dor não conta a história inteira
Da Osteopatia à Saúde Integrativa Feminina
Há mais de duas décadas, uma pergunta acompanha minha prática clínica:
Por que algumas mulheres continuam convivendo com a dor, mesmo depois de tantos tratamentos?
Sou fisioterapeuta há mais de 35 anos e, há mais de 20, dedico grande parte da minha trajetória à Osteopatia.
Nesse tempo, acompanhei mulheres com dores crônicas, limitações funcionais, cólicas intensas, desconfortos pélvicos, tensões recorrentes e diferentes manifestações que interferiam profundamente em sua qualidade de vida.
E a clínica foi me ensinando algo importante:
o lugar onde dói nem sempre conta a história inteira.
Uma dor pode aparecer no quadril e nos levar a investigar a pelve. Uma queixa lombar pode pedir que olhemos também para a respiração, o abdome, a mobilidade visceral, os membros inferiores e a maneira como o corpo inteiro está se organizando.
O corpo compensa. Adapta-se. Encontra caminhos para continuar funcionando.
Por isso, ao longo dos anos, deixei de perguntar apenas:
“Onde dói?”
E passei a perguntar também:
“O que mais pode estar participando disso?”
Essa mudança de pergunta transformou minha maneira de cuidar.
E, muitos anos depois, ajudaria a dar origem à LUPA — Autoconhecimento em Movimento.
O que a Osteopatia me ensinou a enxergar
A Osteopatia é uma abordagem terapêutica que compreende o corpo como uma unidade integrada.
Em vez de olhar apenas para o local onde um sintoma aparece, a avaliação procura compreender alterações de mobilidade, relações entre estruturas e adaptações que podem estar participando daquele quadro.
Mas talvez uma das coisas mais importantes que a Osteopatia tenha deixado na minha forma de trabalhar seja algo anterior à técnica:
aprender a investigar antes de concluir.
Uma assimetria não conta uma história inteira.
Uma região com menos mobilidade não deve ser transformada imediatamente na explicação para uma dor.
E o lugar da queixa não determina, sozinho, onde a investigação deve terminar.
Meu olhar começa global, aproxima-se quando encontra uma pista e depois volta ao conjunto.
Aproxima para investigar. Afasta para compreender.
Esse princípio atravessa hoje todo o meu trabalho. A Lupa do Corpo (3)
A pelve mudou o meu olhar sobre a saúde feminina
Durante muitos anos fui Professora Titular da disciplina de Técnicas Viscerais no Instituto Brasileiro de Osteopatia, participando da estruturação dos módulos voltados ao estudo das vísceras pélvicas, abdominais e torácicas.
Foi um período que aprofundou meu interesse pela saúde da mulher e pelas relações que a pelve estabelece com outras regiões do corpo.
A pelve não existe isolada.
Ela participa de uma rede de relações com abdome, tórax, coluna, quadris, membros inferiores e outras estruturas.
E foi justamente a experiência clínica que me ensinou a importância de olhar essas relações sem cair em respostas prontas.
Uma dor no quadril não “vem da pelve” simplesmente porque existe uma alteração pélvica.
Uma tensão não prova uma causa.
Um achado é uma pista.
E uma pista precisa ser investigada.
Esse jeito de pensar acabaria ultrapassando o corpo.
Quando percebi que observar o corpo já não era suficiente
Em 2013 nasceu a MIMOS Naturais.
O que começou com o desenvolvimento de cosméticos naturais foi me aproximando ainda mais das mulheres, de profissionais que cuidavam delas e de histórias que dificilmente cabiam apenas em uma descrição de sintomas.
O desenvolvimento do Sabonete Íntimo Natural de Barbatimão, por exemplo, me colocou em contato com mulheres que relatavam candidíase de repetição, desconfortos íntimos, odor persistente, coceira e ardência.
Mas, durante as conversas, aparecia muito mais.
Apareciam rotina, sobrecarga, escolhas, dificuldades para sustentar o próprio cuidado, maneiras diferentes de enfrentar problemas e de responder às exigências da vida.
E comecei a perceber uma coisa:
se eu tinha aprendido a não interpretar rapidamente um sinal do corpo, também precisava ter o mesmo cuidado diante de um comportamento.
Uma mulher que assume muitas responsabilidades não pode simplesmente receber o rótulo de “controladora”.
Uma mulher que pergunta muito não é automaticamente insegura.
Uma orientação que não foi seguida não transforma uma paciente em “resistente”.
Assim como no corpo, comportamento observado é pista — não sentença.
Era preciso aprender a olhar melhor.
Descrever primeiro. Nomear depois. A Lupa Comportamental (2)
Foi desse encontro que nasceu a LUPA
A LUPA nasceu da união de perguntas que foram amadurecendo ao longo de muitos anos de prática.
O que acontece quando olhamos para a mulher sem separar tão rapidamente corpo, comportamento e cuidado?
O que podemos descobrir quando, em vez de começar pela resposta, aprendemos a observar?
Hoje, a LUPA organiza esse olhar em três perspectivas sobre a mesma mulher:
Lupa do Corpo
Observa como o corpo organiza movimento, tensão e adaptação.
A avaliação parte do global, aproxima-se das regiões que pedem investigação e volta novamente ao conjunto.
Não procura uma estrutura “culpada”.
Procura relações que possam ser testadas e reavaliadas.
Lupa Comportamental
Observa como a mulher organiza escolhas, responsabilidades, respostas e cuidado.
Aplicamos um Teste Comportamental como uma das lentes utilizadas para ampliar a compreensão das tendências comportamentais.
Mas números não contam uma vida inteira.
Por isso, o perfil não é usado para colocar a mulher dentro de uma categoria. Ele aumenta a resolução do olhar e ajuda a formular perguntas melhores.
A observação, a história daquela mulher e aquilo que ela própria reconhece sobre si continuam sendo fundamentais. A Lupa Comportamental (2)
Lupa do Autocuidado
É onde a pergunta muda novamente.
Em vez de começar com:
“O que eu deveria fazer para me cuidar?”
começamos investigando:
“O que eu preciso perceber, sustentar ou modular neste momento — e o que pode me ajudar a experimentar isso?”
Só então entram movimento, pequenas experiências comportamentais, aromas, plantas, rituais e ajustes possíveis na rotina.
Porque uma ferramenta de autocuidado ganha sentido quando sabemos para quê ela está sendo escolhida.
Antes da ferramenta, vem a intenção.
Corpo, comportamento e autocuidado
Essas três Lupas não existem para produzir três respostas separadas.
Elas ajudam a olhar a mesma mulher por diferentes distâncias.
E compartilham um princípio:
observar → comparar → formular hipóteses → testar → reavaliar.
No corpo, isso significa não transformar imediatamente uma tensão em causa.
No comportamento, significa não transformar uma característica em rótulo.
No autocuidado, significa não escolher primeiro a ferramenta e depois procurar um problema que justifique seu uso.
É justamente aqui que a LUPA se encontra com a minha história na Osteopatia.
Não começar pela resposta.
E como Funciona?
Antes da consulta, você responde ao teste comportamental pelo computador.
Ele avalia cinco grandes dimensões da personalidade e suas facetas e me oferece mais uma lente para compreender tendências do seu funcionamento.
Mas talvez o mais interessante não seja descobrir se uma característica sua é alta, média ou baixa.
É perceber como diferentes características aparecem juntas em você.
Onde estão suas potências?
Que recursos você já possui e talvez utilize sem perceber?
Há características que funcionam muito bem em determinados contextos, mas que em outros começam a ter um custo?
Existe algo que você gostaria de desenvolver, modular ou simplesmente observar melhor?
A proposta não é usar personalidade para explicar uma dor.
É ampliar a compreensão sobre a mulher que está vivendo aquela experiência e sobre as possibilidades de cuidado que realmente podem fazer sentido para ela. A própria LUPA trabalha o Big Five como lente de tendências, integrada à observação e à investigação, e não como explicação fechada da pessoa.
E se autocuidado não fosse mais uma lista de coisas para fazer?
Essa é outra pergunta importante da LUPA.
Caminhar.
Meditar.
Dormir cedo.
Usar um óleo essencial.
Tomar um chá.
Alongar.
Todas essas coisas podem ser interessantes.
Mas para quê?
Um cuidado que não conversa com a vida real corre o risco de virar apenas mais uma obrigação.
Na LUPA, procuramos a menor ferramenta que faça sentido experimentar.
Às vezes será movimento.
Às vezes, uma mudança pequena de rotina.
Pode ser uma pergunta para observar um comportamento antes automático.
Em outros momentos, plantas e aromas podem acompanhar uma intenção específica.
E a própria ferramenta também é observada: funcionou? Coube na vida? Fez sentido? Precisa ser ajustada?
O autocuidado deixa de ser uma receita e passa a produzir conhecimento sobre você mesma.
Como tudo isso aparece na consulta
A primeira consulta tem duração aproximada de uma hora e meia.
Antes do encontro, você realiza o Big Five em seu computador.
No consultório, começamos pela sua história.
Conversamos sobre a queixa que trouxe você até mim, sua evolução, sua rotina e outros elementos relevantes. Depois, a avaliação osteopática observa o corpo do global ao local, buscando compreender movimento, mobilidade, tensões, adaptações e relações que mereçam investigação.
O resultado comportamental acrescenta outra camada à conversa.
Não para diagnosticar psicologicamente nem para dizer que determinado traço “causou” uma tensão.
Ele nos ajuda a observar seu jeito de funcionar e a levantar perguntas que podem tornar o cuidado mais individualizado.
Ao final, o autocuidado começa a ganhar forma.
Você recebe um óleo corporal personalizado, preparado com óleos vegetais e essenciais selecionados de acordo com os objetivos identificados na sua avaliação.
E recebe também, como um carinho da MIMOS Naturais, o Sabonete Íntimo Natural de Barbatimão.
Mas o mais importante que você leva não cabe em um frasco.
Você começa a levar uma Lupa para casa.
A consulta termina. A observação continua.
Talvez você perceba uma diferença entre os lados durante um movimento.
Talvez reconheça mais cedo o instante em que uma potência sua começa a cobrar um preço.
Talvez descubra que determinado cuidado funciona muito melhor quando acontece de outra maneira.
Ou simplesmente comece a fazer perguntas que antes não fazia.
A LUPA do Autocuidado foi construída justamente para transformar o cuidado em algo que possa ser observado, experimentado e ajustado na vida real. E o movimento também pode fazer parte desse processo: perceber o corpo enquanto ele se move, respeitar diferenças entre os lados e privilegiar qualidade e conforto antes de buscar grandes amplitudes. A Lupa do Autocuidado (3) Bonus Exercícios de Mobilidade …
Porque autoconhecimento, para mim, não deveria terminar quando alguém entrega um resultado.
Ele começa quando você passa a se perceber de outro jeito.
Há muito mais por trás dessa Lupa
A LUPA nasceu no consultório, mas não termina nele.
Tenho transformado esse conhecimento em conteúdos para mulheres e também para terapeutas que desejam aprender a observar antes de concluir.
Alguns deles estão no Blog Saúde Integrativa, aqui no próprio site.
Também compartilho conteúdos, provocações e diferentes partes desse olhar nos perfis @mimosnaturais e @lupadaterapeuta.
Se você chegou até aqui pela Osteopatia, talvez descubra que existe muito mais para explorar.
Se chegou pelo autocuidado, talvez comece a olhar para o corpo de outra maneira.
E, se chegou porque quer se conhecer melhor, talvez perceba que a pergunta mais interessante não seja:
“Que tipo de pessoa eu sou?”
Talvez seja:
“Como eu funciono — e o que muda quando começo a perceber isso?”
Essa é a curiosidade que move a LUPA.
Aproximar para enxergar o que passava despercebido.
Afastar para compreender o conjunto.
E colocar esse conhecimento em movimento.
